
De acordo com o Vaticano, o salmo responsorial na liturgia deve ser cantado preferencialmente. Ele é uma parte integrante da Liturgia da Palavra e tem grande importância litúrgica e pastoral, pois favorece a meditação da Palavra de Deus. Como afirmou Santo Agostinho, “o canto é próprio de quem ama”, e “quem canta reza duas vezes”, ressaltando a profundidade da oração através da música.
As principais orientações são:
Canto Preferencial: O salmo responsorial deve ser cantado, ao menos no que se refere ao refrão do povo. Se não for possível cantá-lo, deve ser recitado de modo a favorecer a meditação da Palavra de Deus. São Pio X, em seu Motu Proprio “Tra le Sollecitudini”, que é considerado um “código jurídico da música sacra”, enfatizou que a música sacra “deve possuir, em grau eminente, as qualidades próprias da liturgia, e nomeadamente a santidade e a delicadeza das formas”.
Forma Responsorial: A forma preferencial é a responsorial, onde o salmista ou cantor do salmo canta as estrofes, e toda a assembleia participa cantando a resposta (refrão). Há também a forma direta, onde o salmo é cantado sem a interjeição da resposta pela assembleia. Santo Agostinho via o salmo como a “voz do Cristo Total, Cabeça e Corpo” (“Psalmus vox totius Christi capitis et corporis”), o que sublinha sua centralidade na oração da Igreja.
Função do Salmista: O salmista é um leitor que canta e proclama a Palavra de Deus. Ele deve cantar o salmo do ambão (mesa da palavra), e não do local do grupo de canto. Como ensinou Santo Agostinho, “quando a Palavra de Deus é lida, o próprio Cristo está falando”, o que eleva a dignidade da proclamação do salmo.
Acompanhamento Musical: Os instrumentos musicais devem apoiar e acompanhar discretamente o canto, sem se sobrepor à voz do salmista, especialmente durante os versos. São João Crisóstomo, por sua vez, destacou que “nada eleva tanto a mente e lhe dá asas, e a liberta da terra, e a solta dos laços do corpo, e a faz amar a sabedoria, e a capacita a desprezar todas as coisas desta vida, como a melodia concordante e o canto sagrado”, indicando que a música deve servir a este propósito espiritual.
Melodia Simples: A melodia para os versos cantados pelo salmista deve ser, de preferência, bastante simples, do tipo recitativo, devido ao caráter de leitura cantada do salmo. São Pio X, ao defender o Canto Gregoriano como “o canto próprio da Igreja Romana”, indicou um modelo de simplicidade e santidade para a música litúrgica.
Participação Ativa: A Igreja incentiva a participação ativa de todos os fiéis nas celebrações litúrgicas, incluindo o canto. Santo Agostinho nos convida: “Quereis cantar louvores a Deus? Sede vós mesmos o canto que ides cantar. Vós sereis o seu maior louvor, se viverdes santamente”. Ele também afirmou: “Se queres saber o que cremos, vem ouvir o que cantamos”, mostrando como o canto expressa a fé da comunidade. São Tomás de Aquino também ensinou que “mediante o louvor de Deus, o homem se eleva até Deus”.
Não Substituir: O salmo responsorial não deve ser substituído por outros cantos, pois possui o valor de uma leitura bíblica. Santo Ambrósio, ao descrever o salmo, afirmou que ele é “a bênção do povo, o louvor de Deus, a aclamação da multidão, o deleite de todos, a voz da Igreja, a confissão harmoniosa da fé”, ressaltando sua insubstituível função.
Critérios Litúrgicos: A escolha dos cantos deve seguir as orientações litúrgicas, e não o gosto pessoal. A música sacra, conforme São Pio X, deve ser “santa, e por isso excluir todo o profano não só em si mesma, mas também no modo como é desempenhada pelos executantes”.